Domingo , 15 Setembro 2019

Orquídea da espécie Vanilla pompona é descoberta no Parque do Utinga

Após meses de observações e estudos, foi confirmada a existência da orquídea Vanilla pompona no Pará. A espécie foi descoberta em território paraense pelo pesquisador da Coordenação de Botânica do Museu Goeldi, Leandro Ferreira, no Parque Estadual do Utinga. É do fruto dessa planta que se extrai o aromatizante de baunilha, muito utilizado na culinária. A descoberta já consta no Projeto “Inventário das Vegetações do Parque Estadual do Utinga”, uma parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio) e do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).

“O mais incrível é encontrar essa planta na Região Metropolitana de Belém, dentro do Parque do Utinga. Isso nos levou a desenvolver projetos de pesquisas aqui dentro com alunos de graduação, mestrado e doutorado”, pontua Leandro Ferreira. “Temos aqui, no Utinga, um laboratório natural para estudo da biodiversidade e, o mais importante, uma ferramenta de formação acadêmica e que auxilia na fixação de profissionais de alto gabarito para atuar no Estado do Pará”, afirma.

Ferreira explicou que os indivíduos dessa espécie entram em floração nesta época do ano e, por isso, estão sendo monitorados diariamente, para que se busque mais informações sobre a produção de flores e frutos, enriquecendo, assim, o conhecimento biológico acerca da espécie. “Estamos esperando ela frutificar. Esses frutos serão coletados e levados para o laboratório de fitoquímica do Museu para acompanhar o grau de vanilina que eles terão”, esclarece.

As abelhas são outro agente importante nesse processo para a polinização da espécie. Na área, já foram identificadas quatro espécies de abelhas. Entre elas estão a do gênero Euglossa, pertencente a tribo Euglossini, e a do gênero Eulaema nigrita. A flor da orquídea abre por volta das 5h30 e solta o seu perfume nos primeiros raios de sol, o que atrai os polinizadores. A abelha entra em cena fazendo o trabalho de fecundação da espécie que consiste na transferência do pólen de uma flor de estrutura masculina para uma de origem feminina, permitindo a formação dos frutos.

Flora brasileira – A partir dessa descoberta, a espécie passou por um estudo de identificação e foi catalogada geograficamente no Pará pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que administra o site Flora Brasil. Há pelo menos sete indivíduos da espécie Vanilla pompona dentro do Parque. A partir de agora, a ideia é retirar partes da planta para colocar em outros indivíduos dentro da vegetação do Parque e com isso aumentar as populações dessa espécie.

“Quando ela frutificar, vamos verificar a quantidade da substância de vanilina, saber se é viável para produção da essência natural. Pode até se fazer um estudo posterior do plantio dessa espécie dentro do Parque ou outro local, que pode servir de fonte de renda para a população do entorno”, pondera o pesquisador.

Parcelas permanentes – Em março deste ano foi implantado um outro projeto pelo pesquisador em parceria com o Ideflor-Bio, sendo três parcelas permanentes para monitorar a biota do parque ao longo do tempo. De acordo com o biólogo, os primeiros resultados são bastante animadores: foram marcados 1.374 indivíduos, totalizando 197 espécies em 41 famílias botânicas. Demonstra que os fragmentos florestais do Parque do Utinga têm uma flora bem distinta. E que a conservação deve ser feita em todo o Parque.

Aula especial – O pesquisador da Coordenação de Botânica do Museu Paraense Emílio Goeldi, Dr. Leandro Ferreira, realizou na quarta-feira (14) aulas especiais da disciplina “Inventário da Biodiversidade” no Parque Estadual do Utinga, em alusão à descoberta da orquídea rara dentro do Parque Estadual.

Esse é o primeiro registro deste tipo de orquídea dentro de uma área protegida no Pará e o primeiro registro de toda a Região Metropolitana de Belém. A identificação ocorreu durante ações do projeto de levantamento e inventariação das vegetações do Parque Estadual do Utinga, que por sua vez é fruto da parceria entre Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio) e o Museu Goeldi.

Durante as aulas teóricas e práticas ministradas pelo pesquisador, alunos de doutorado do programa Bionorte aprenderam diversos pontos de botânica relativas à biodiversidade e biotecnologia da Amazônia.

Fonte: O Liberal (Texto e Foto)

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*